domingo, 20 de março de 2011

E o Obama veio... e foi!




Dizem nossos antepassados que um certo imperador romano, para descrever suas rápidas vitórias, teria se expressado desta forma: "VINI VIDE VINCI" - Vim, vi e venci!
Bem, todos nós sabemos que o Império Romano não era tão xenófobo como hoje a Europa é (nunca deixou de ser...), e que nas suas fileiras militares recebia estrangeiros, e alguns chegaram a ser generais (Arintheus, Victor, Nevitta e Dagalaifus), e que decidiam de forma direta sobre a eleição de Imperadores também não tão romanos.
Isso parece ser o mesmo caminho que a Roma moderna está tomando, quando deixa sua essência histórica ser assaltada por pessoas distintas de sua própria cultura.
Vale lembrar que nas recentes guerras, o exército da América do Norte, dito o mais poderoso do mundo, aceitou em suas fileiras estrangeiros (e infelizmente muitos brasileiros), em troca de sua cidadania. Como disse, isso lembra muito Roma, pois, entre as cidades era senso comum o desejo dos moradores ter sua cidade elevada a condição de município pelo Império, de forma que seus cidadãos seriam julgados, a partir de então, de acordo com as Leis do Império (que como vocês se lembram, tinha alguns aspectos interessantes: São Paulo não foi chicoteado exatamente por ser cidadão romano).
Na década de 70, ascendeu um polonês ao governo da América do Norte chamado  Zbigniew Brzezinski - assessor para assuntos internacionais do Governo Carter. Era estranho um estrangeiro assim num governo de um país que, em princípio, teria problemas como os não "made in USA". Mas devo lembrar então, que a Polônia, era uma país da órbita da URSS. Portanto....
Mas vamos voltar ao vini vide vinci iniciais.
Esperavam os americanos do norte que o sr. Obama repetisse aqui o que o imperador romano sentiu nas suas conquistas asiáticas, ou seja, que encontraria um povo dócil querendo ser um município do império.
Não que isto não aconteça, pois vendo a internet e a televisão, há um algo que foi dirigido pela Rede Globo e outros menos cotados, para mostrar que o governo da Presidente Dilma mudou de rumo, agora vai ser aquilo que o FHC era, ou seja, alinhada automaticamente as decisões do império, na linha de que "tudo que é bom para os EUA é bom para o Brasil". Estes esperavam não o presidente dos EUA, mas sim um hieródulo sagrado, que ao presidir a cerimônia no templo da rendição, visse no pátio destinado aos inferiores, pela janela, estes mesmos eunucos mostrando as suas genitálias mumificadas (*).
Mas as coisas não são bem assim: a Presidenta repetiu os mesmos pontos já afirmados pelo Presidente Lula, e isso parece estar chocando nossos meios de "comunicação", que esperavam já uma rendição de primeira linha. 
Deve ter soado mal para essa tal imprensa a Presidenta falar novamente da bendita cadeira no Conselho de Segurança da Onu. Inobstante a ONU ser uma instituição já arcaica e falida,  o custo político por um outro mecanismo multilateral seria impraticável no momento, vide as desavenças e distâncias entre os grupos dos 20, dos 7, disto e daquilo. Fragmentar ainda mais a ONU não é nenhuma atitude saudável e isto nossa diplomacia bem o sabe. Ao votar contra a sanção imposta a Líbia, o Brasil, a China, a Alemanha deram credibilidade a esse instituto quase falido chamado de ONU, e isto é que temos que preservar.
Portanto, renovar o tal conselho de segurança (ou insegurança!) é urgente para preservar a própria ONU. Imagine amanhã, por exemplo, uma China ou Russia se retirando da ONU? Quem é que fará alguma coisa contra?
Nem que fosse o mais sincero desejo do Obama aqui no Brasil dar uma repaginada na sua imagem aproveitando a nossa imagem no mundo, pois afinal de contas, nosso pais e seu povo, principalmente este, tem credibilidade, seria frustado por uma questão muito pequena: nós não queremos ser município do império, mas sim sermos protagonistas da história! Mesmo que uma parte insignificante e hipócrita de nossa elite assim o pense e deseja, o restante do pais tem uma relação respeitosa aos EUA mas sabemos que eles são aves de rapina.
Ai cabe ao Obama, criticado (justa ou injustamente) em seu próprio pais de não ser americano "made in USA", ou seja, ser mais um imperador Adriano na cadeira de Roma, pensar nos seus próprios momentos, nas suas próprias angústias. Errou a baixar a cabeça a direita religiosa americana; errou ao baixar a cabeça a direita de Wall Street americana; errou ao continuar salvando bancos no lugar do povo; errou ao imaginar que por ser americano sempre seria o símbolo do consenso.
Em Roma, coube a imperadores fracos e não tão romanos por fim ao próprio império do ocidente. A América do Norte resistirá a quantos Obamas? É uma pergunta que a cada dia está mais fácil de responder, graças a incompetência deste moço no governo. E afirmo aqui: se o Obama ganhar novamente, será pela sua funcionalidade junto aos seus Falcões de Guerra do que aspectos de um estadista!
Quanto a nós, cabe-nos o destino sul-sul, comercializar e desenvolver a África, ter uma parceria mais distinta com a Rússia, a Índia, a China. Esquecer uma carta fora do baralho chamada Japão. Nas Américas, manter uma distância respeitável aos EUA, sem correr para eles não dizerem que estamos fugindo ou sem ser depressa demais para eles não se acharem provocados. Mas com os outros países, sermos a alternativa aos prejudicados pela política comercial americana do norte: México, que de pais humano passou apenas a ser mais um fornecedor de tóxicos aos ávidos consumidores americanos; a Argentina, um abraço mais do que fraterno, pois, Brasil, Argentina e África é que alimentarão o mundo. E isso tudo será feito com a nossa liderança! Os outros nos seguirão por senso de rebanho!
pax americana" no mundo, mas não é preciso nem comentar: conseguiram ser inimigos até de seus próprios familiares!
Obama aqui, mesmo sendo um imperador não tão romano, digo, americano assim (afinal, distante da questão de ser cidadão americano regular ou não, ele é de uma "cor" que não representa, em nenhuma hipótese, o destino WASP daquele pais), não poderá jamais falar: I came, saw and won!

(*) Acho ser a cena mais contundente do filme "O Último Imperador"

domingo, 13 de março de 2011

Comissão da Verdade JÁ!

José Dirceu: Globo rasga fantasia em editorial reacionário

Com editorial com o título "Os militares e as vítimas da ditadura", no qual se perfila hoje com as Forças Armadas contra a criação da Comissão da Verdade, que vai investigar os crimes do regime militar, o jornal O Globo faz jus ao seu passado de apoio à ditadura e à repressão aos que a ela resistiram.


por José Dirceu, em seu blog via Vermelho

No título, que se pretende neutro, na verdade o jornal demonstra não ter coragem de assumir o que vai publicar e defender em seguida no editorial. No texto considera que "é necessário saber o destino dos desaparecidos e também os delitos da esquerda".

Em outras palavras, assume a posição das Forças Armadas que são contra a Comissão, mas como a sabem inevitável, querem a reciprocidade, investigar a esquerda, a oposição e os que integraram a resistência à ditadura.

Esquerda já foi investigada e julgada

O jornal finge esquecer-se que estes já foram julgados. A maioria, apesar de civis, por tribunais militares de exceção e, quando condenados, cumpriram duras penas. Muitos foram torturados, banidos, exilados, assassinados. O jornal quer que sejam investigados e julgados duas vezes?

É o que defendem. Querem nos investigar porque lutamos contra a ditadura. Agora, imagina se nós quiséssemos investigar as Organizações Globo pelo apoio a ditadura!

Ou, por aquela velha denúncia, por muito tempo repetida pelo falecido governador Leonel Brizola, de que o sistema Globo foi montado no pós-golpe militar de 1964 e se tornou esta potência com o apoio - financeiro, inclusive e principalmente - do grupo de comunicação norte-americano Time-Life, o que já era proibido à época pela legislação brasileira.

Sistema é a vanguarda do atraso na mídia

Não é nenhuma novidade esta posição do jornal O Globo em que se posiciona ao lado dos militares e contra a criação da Comissão da Verdade. O jornal sempre se alinhou ao que houve de mais obscurantista, retrógrado e reacionário na história do país.

Esteve, por exemplo, com a velha UDN de guerra e com um de seus líderes, Carlos Lacerda, na oposição a Getúlio Vargas (1950-1954); foi contra os pontos positivos do governo Juscelino Kubitschek (1956-1960); aliou-se à reação e pregou abertamente o golpe militar de 1964 que derrubou o presidente constitucional João Goulart (1961-1964); e foi um entusiasta apoiador dos 8 anos de tucanato de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Também a TV Globo, do mesmo grupo e linha editorial do jornal, pelo apoio e sustentação que dava ao regime militar ignorou e boicotou solenemente a campanha das Diretas Já pela volta das eleições para presidente da República.

Um aliado permanente dos reacionários

Só a noticiou quando o movimento se tornou vitorioso e ficaram evidentes os sinais de derrota da ditadura e que ela se aproximava do seu fim. O 1º grande comício da campanha das Diretas Já, por exemplo, de 25 de janeiro de 1984, na Praça da Sé, a TV Globo noticiou como uma festa pelo aniversário de São Paulo. Nenhuma menção ao objetivo da manifestação.

Se alguém quiser ver alguma novidade no editorial de O Globo de hoje, encontrará só o fato de que o jornal abandonou o lema que seguiu durante os 21 anos de ditadura militar, de que "há governo sou a favor". Está contra esta iniciativa do governo Dilma Rousseff, de criar a Comissão da Verdade. Como aliás, todo o tempo foi contra o governo Lula.

Mas, por seu passado e história, não surpreende.


Via  http://amoralnato.blogspot.com

Pois é: será mais uma dos filhos do Roberto Marinho?

Globo perde brasileirão para Rede TV!

Perdeu mesmo? 

Tem cheiro de maracutaia no ar.

A Rede TV! venceu a licitação pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de 2012, 2013 e 2014 por R$ 516 milhões (cada ano), na sexta-feira. No último triênio a Globo pagou apenas R$ 220 milhões ao ano.

A Globo havia desistido de disputar a licitação do próximo triênio, depois que o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) obrigou a acabar com contratos privilegiando a emissora.

O Clube dos 13 (entidade que até hoje representou os interesses junto às TVs dos maiores clubes brasileiros) passa por um estranho racha, coincidindo com a decisão da Globo de abandonar a licitação e passar a procurar os clubes para negociar individualmente.

A negociação individual é complicada porque um jogo envolve 2 clubes. A TV teria que deter os direitos dos 2 clubes para poder transmitir os jogos. Repita essa situação para todos os jogos, com todos os clubes, e percebe-se que essa negociação individual tem tudo para não dar certo, e está sendo explorada para gerar confusão e melar a licitação da forma que foi concebida para haver livre concorrência, sem privilégios.

Além disso, os problemas com o CADE voltariam, devido à negociações dirigidas, prejudicando a livre concorrência.

A TV Record desistiu na última hora, alegando incerteza jurídica, por não saber se a licitação valeria para todos os clubes, já que oito clubes endossaram a licitação (São Paulo, Atlético Mineiro, Inter, Atlético Paranaense, Bahia, Portuguesa, Guarani e Sport), dois ficaram em cima do muro (Vitória e Goiás), e 10 clubes manifestaram-se contra (Corinthians, Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Coritiba, Cruzeiro, Grêmio, Palmeiras e Santos).

Porém, diante da mesma incerteza, a Rede TV! foi a única participante e venceu, condicionando o pagamento à adesão de todos os clubes, como sempre foi. A Record poderia fazer o mesmo. Como não fez, há um forte cheiro de acordão de bastidores.

Forças "ocultas"

Alguns clubes dissidentes argumentaram que a partilha do bolo era aquém do tamanho do clube. Outros sucumbiram a estranhíssimos interesses, alegando preferir a TV Globo PAGANDO MENOS, porque daria mais visibilidade aos clubes.

Essa visibilidade é questionável, porque a Rede TV! e a Record prometeram transmitir em horário nobre, mais cedo, diferente da Globo, que espera a novela acabar, e prejudica a audiência do trabalhador que tem que acordar cedo.

A Rede TV! foi além e se disse disposta a transmitir jogos em qualquer dia da semana, de segunda a domingo, se os clubes quiserem.

Por trás dessa "visibilidade" dizem estar os patrocinadores das camisas dos clubes (para não considerar a hipótese bastante plausível de casos de corrupção de cartolas).

Mas os patrocinadores patrocinam os clubes ou são meros anunciantes na TV Globo, via camisa? Que estranha triangulação é essa, onde uma empresa, para anunciar na Globo através da camisa dos clubes, exige dos clubes contratos onde a TV paga menos aos clubes?

Na prática, é como se, em vez da Globo pagar os direitos de transmissão integrais, os clubes é que pagam de volta à Globo o valor do anúncio veiculado nas camisas. Então o patrocínio na camisa, em vez de ser para remunerar o Clube, acaba remunerando a Globo.

Cheiro de maracutaia de acordão de gaveta

A Rede TV! pode sublicenciar a transmissão a outra TV concorrente, pagando ao Clube dos 13 mais R$ 103 milhões.

A emissora diz que não pretende licenciar a nenhuma concorrente. Mas o fato de ter sido a única a participar da licitação, traz suspeita inerente de um acordo de bastidores, seja com a Record, seja com a própria Globo.

A Rede TV pagou R$ 516 milhões e, caso negocie com a Globo ou Record, pagará apenas mais R$ 103 milhões aos clubes. O custo total sairá por R$ 619 milhões ao ano. Havia expectativa de que, caso a Record ou a Globo entrassem na disputa, os clubes recebessem cerca de R$ 750 milhões ao ano ou mais.

Nesse contexto, um acordo da Rede TV, seja com a Record, seja com a Globo, significa cerca de R$ 131 milhões por ano a menos no bolso dos clubes, e a mais no bolso das TVs vitoriosas.

Pobre rico futebol brasileiro

O diretor de relações institucionais da Rede TV!, João Alberto Romboli, revelou que a emissora levou dois envelopes para a reunião no Clube dos 13, um com proposta mais alta e outro com proposta mais baixa. Com a desistência de todos os outros concorrentes, apresentou a proposta mais baixa, muito próxima do lance mínimo.

Questionado se a segunda proposta seria acima de R$ 700 milhões por ano, Romboli confirmou: "O segundo envelope, era (superior a 700). Mas era menor que 800 (milhões)".

Teste de hipóteses

Os desdobramentos dessa história não provará, mas dará indícios se houve ou não maracutaia. Aguardemos os próximos capítulos, mas dá para testar as hipóteses:

1) Se a Rede TV! conseguir levar essa vitória e mantiver sua exclusividade na transmissão, parabéns! Significa que não houve maracutaia, apesar dos clubes deixarem de ganhar cerca de R$ 750 milhões nos próximos 3 anos. Mas, pelo menos, ganham na mudança de horário para mais cedo, e mais transmissão de jogos também durante a semana. O futebol na Rede TV! fica prioritário sobre qualquer programação. Na Globo, a novela é prioritária.

2) Se a Rede TV! sublicenciar para a Globo, continua tudo como dantes. O forte cheiro de maracutaia exalará pelos campos do Brasil e pela tela da TV, onde a Globo, supostamente, teria articulado um amplo acordão de bastidores, onde os clubes dissidentes se disporiam a aderir a vitória da Rede TV! mediante cessão para a Globo também transmitir os jogos. Os clubes reduziriam o que deixaram de ganhar para R$ 450 milhões no triênio (receberiam mais R$ 300 milhões). Continuariam perdendo prestígio para as novelas, e tendo que agendar os jogos segundo os interesses da Globo, e a Rede TV! seria linha auxiliar da Globo, como é a Band no último triênio. A Record teria feito papel de boba, ao desistir.

3) Se a Rede TV! sublicenciar para o Record, o cheiro de maracutaia continua, mas a perdedora seria a Globo. Os clubes continuariam reduzindo as perdas para R$ 450 milhões no triênio, mas ganhariam prestígio, com os jogos dominando o horário nobre, sobrepondo as novelas.

4) Ainda há a hipótese, mesmo remota, da Globo conseguir dobrar os cartolas de 20 clubes em negociação individual com cada um deles. Porém, o mais provável é que o custo sairia mais caro, a não ser que a corrupção corresse solta.

É por essa e por outras, que o Brasil, mesmo já tendo uma economia maior do que a Espanha, Holanda, e será maior do que a Itália em 2011, não consegue reter seus craques aqui.

sexta-feira, 11 de março de 2011

A VINGANÇA DAS ANTAS - Via Blogg do Amoral Nato

A vingança das antas


Por Raul Longo (*)

Por volta de outubro passado recebi a visita de uma moça nacionalmente conceituada em sua especialidade. E não é uma especialidade qualquer. É daquelas às quais se confere Prêmio Nobel. Vital para a evolução e sobrevivência da humanidade e todas as demais espécies.

Doutora e mestra no assunto, respeitadíssima por seus colegas e temida por transgressores em área tão importante para a segurança do planeta, sem dúvida uma moça de notáveis saberes.

No entanto, repentinamente começa a prever o início da total falência do Brasil para os próximos 3 meses daquele ano de 2010, cabalisticamente o final de uma década.

Tentei argumentar: “- Mas o tsunami da crise é no mundo. Aqui já saímos até da marolinha!”

Não adiantou. A moça continuou sibilando apocalipticamente: “- Não vê que tudo tem um preço? Essa conta terá de ser paga. Vai nos sair muito caro pelo “O Cara”! Não há nem que esperar. É só passar as eleições e o Brasil virá abaixo, cai na bancarrota! Vai falir! Vai carcomer! Vai acabar!” – e arrematou com olhos arregalados, num transe de profunda piedade por minha total cegueira: “- Eu vejo isso tão claro, como é que não conseguem enxergar?”



Já pressentindo onde ela vislumbrara tal carma para o futuro brasileiro, incentivei uma revelação afirmando que até aquele momento não havia nada no cenário econômico nacional que fundamentasse tão drástica profecia.

Bingo! Acertei na mosca, pois a moça no ato me recomendou a mudar minhas leituras e acompanhar a FOLHA DE SÃO PAULO.

Mais tarde, logo depois da derrota do José Serra no segundo turno, me escreveu avisando que estávamos na eminência de receber anúncios terríveis num pronunciamento à nação pelo Presidente Lula que, por gentileza à sua sucessora e candidata, assumiria medidas extremamente antipopulares, poupando à Dilma Rousseff tão espinhosa herança. De fato, dali a não muito ouço pela TV o mesmo prenúncio pelo Kennedy Alencar.

Os dias foram passando e Lula entregou a faixa para a Dilma, sem uma palavra a respeito. Fiquei até meio decepcionado com o célebre cavalheirismo e elegância do Presidente, mas Dilma, por sua vez, até agora só o que anunciou foram cortes no orçamento para contingenciamento de despesas governamentais, ainda que sem afetar os serviços públicos, as obras de infraestrutura, os programas sociais e a produção nacional.

Já estamos em março, fala-se de medidas para evitar ameaças de retorno da inflação, mas por enquanto nenhuma catástrofe no horizonte político/econômico. Cadê a débâcle da sibila FOLHA DE SÃO PAULO?

Apesar de toda a decantada sabedoria da civilização grega, a história conta que os da acrópole se arriscavam às incertezas marinhas só para ouvir as sibilas de Delfos, no templo dedicado a Apolo. Ao Sócrates, que fazia apologia do “conhece-te a ti mesmo”, obrigaram à cicuta. Donde se depreende que essa troca do próprio senso de discernimento pelas mentiras dos outros, sussurradas em delírios de vapores que na maioria das redações da imprensa brasileira apresentam-se em modernas versões pulverizadas; é coisa das antigas.

Uma tradição que atravessa os milênios e, aqui no Brasil, compreende leitores e espectadores como arrematadas antas!

A própria FOLHA DE SÃO PAULO, por exemplo, acaba de comemorar seu aniversário tendo como convidada de honra ninguém menos do que a perigosa terrorista, a assaltante, a fichada pelo DOPS e com todos seus codinomes de clandestina que, ainda há bem pouco, se estampavam na capa do jornal!

Arvoram-se todas as linhas político partidárias num “- Uóóóóó!” ensurdecedor. Os daquelas, de mão na cintura: “- Eu avisei que ela é de direita!” – esquecidos de quando suas musas posavam de “Madalena Arrependida” para as câmaras de programas de auditório. Ainda mais ridículo é o despeito dos daquele que distribuiu exemplares da FOLHA DE SÃO PAULO para as crianças do ensino público, mantendo o marketing político com o dinheiro do contribuinte paulista.

Mas pior são os da própria Dilma a condená-la por alta traição pelo simples fato de auxiliar na promoção da confissão da própria FOLHA DE SÃO PAULO. Confissão clara de que encara e trata seus leitores como antas.

Ana Maria Braga, por sua vez, não precisou nem de ir ao camarim para trocar o figurino de viúva cansada e já assumiu o novo personagem de Alegre Comadre da Dilma! A performance dos artistas dos meios de comunicação brasileiros é de uma versatilidade de fazer inveja a qualquer Shakespeare! Capazes de trocar não só a máscara mas até a peça, o texto, o roteiro, o que for necessário. E em cena!

Até o louro José amarelou de tão acanhado. Imaginem o público de La Braga! Podem não ter derrubado a tromba, mas que foram feitos de antas, foram.

Recém fico sabendo de outra rainha das cansadas, a Hebe Camargo que de inconsolável pelo “maior esquema de corrupção do país” que tanto alardeou para redimir a desgastada imagem de seu ex-patrocinador Salim Maluf, virou anfitriã de banquete com todos os talheres: de Serra e Alckmin ao “chefe de quadrilha” José Dirceu.

Só faltaram os mais baixos instintos do réu e tenor confesso, ainda assim inconvincente Roberto Jefferson. Inconvincente e inconveniente em suas canastrices de barítono de chuveiro.

Ou não o convidaram por questões de segurança? Há quem diga que o dia em que Bob Jeff confessar crime de estupro seguido de assassinato em série, o delegado convoca a Guarda Nacional e pede auxílio do FBI porque é sinal de que está escondendo coisa muito pior.

De resto, foi uma “festa de arromba”, como se dizia nos tempos em que as gafes de Hebe Camargo já eram sucesso. Para manter a tradição, dessa vez ocorreu no momento em que Hebe se lembrou de seu ex-candidato para fazer notar às queridas telespectadoras o clima de confraternização da festa onde Dirceu papeava com o Serra em uma das mesas de convivas.

Não era o Serra. Era outro careca.

Evidente que o equívoco não impressionou a anfitriã já tão acostumada consigo mesma. Tampouco arrefeceu seu entusiasmo que por todo o programa se expressou em profusões de confetes e serpentinas atiradas à Dilma Rousseff que, se entendi bem a história, nem ali estava.

Conforme reportado, o único momento um pouco mais constrangedor foi quando, soterrado por tantas loas à ausente e sentindo que para ele a festa acabou, o José se escafedeu sem sequer perguntarem: “- E agora?”

Dessa vez não há como confundir a qual ‘José’ me refiro, pois o Dirceu, que não é careca, continuou sendo paparicado até o final da festa que o outro abandonou no meio.

Impressionante inversão: bajulações ao há pouco “persona non grata” e o que ainda ontem era requestado, agora saindo pela porta dos fundos como um quase penetra. Um daqueles para quem se manda convite só por etiqueta e depois se reclama quando o sonso comete a deselegância de comparecer.

Situação dostoiévskiana! Mas lá no frio siberiano não existem antas e apesar de toda a genialidade do mestre russo, não seria capaz de descrever a cara das telespectadoras da Hebe Camargo. Aliás, como se descrever a cara de tantos milhares de espectadores, leitores e seguidores da mídia brasileira? Ao que se parecem, para os formadores de opinião?

Quem já respondeu isso há algum tempo foi um deles, o William Bonner, ao definir o público de seu telejornal, o de maior audiência no país, como uma multidão de Hommer Simpson, o personagem de desenho animado dos Estados Unidos que faz muito sucesso em todo o mundo por sua proverbial antice.

Por simpatia à moça que me visitou no ano passado; quero exortar aos que a mídia brasileira vem tratando como antas, conforme assumiu Bonner e seu falecido patrão ao explicar à produção do documentário “Além de Cidadão Kane”, da BBC, como pintou as caras das antas para fazê-las depor a quem ele mesmo havia posto na presidência do Brasil.

A esses a quem a mídia manipula que aqui convoco para uma vendetta!

Pode parecer que estou sendo motivado apenas pelos atavismos de minha ascendência itálica, mas na verdade não consigo conter a indignação. Não consigo admitir estes falsários arrecadando dinheiro de assinaturas de jornal ou da compra de revistas em bancas, para mentir a cidadãos que buscam informação e não engodos.

Não posso admitir esses exploradores da boa fé usufruindo de uma concessão pública, para através de emissoras de rádio e TV aterrorizarem a população com ilações e mentiras como se fossemos uma cáfila.

Para quem não sabe ou não lembra, cáfila é o coletivo de camelos. Troquei de alimária ao lembrar o Ali Kamel, diretor de jornalismo da TV Globo que, para desculpar-se das inverdades divulgadas pela emissora que dirige, reconheceu praticar jornalismo de alternativas ou de hipóteses. Não lembro o termo exato usado pelo Kamel, mas evidente que não passa de eufemismo revelando que pratica jornalismo para antas. O que o seu âncora prefere classificar de Simpsons.

Não somos Simpsons. Não somos antas! Recuso-me admitir que sejamos antas e convoco todos a nos rebelarmos contra isso de que vira e mexe nos classificam. Se não por vingança, por algum resquício de dignidade temos de tomar uma providência.

Tratam-nos como idiotas desde quando William Bonner ainda era criancinha! No saguão da mesma FOLHA DE SÃO PAULO, na Rua Barão de Limeira, se chegou a montar uma exposição de material aprendido quando nos anos 60 a polícia da ditadura militar invadiu os alojamentos dos estudantes da USP: envelopes de anticoncepcionais e preservativos sexuais entre livros então proibidos de filosofia, economia e sociologia, para convencer às antas da época de que os estudantes subversivos eram um bando de devassos.

Hoje exibem sexo explícito pelo BBB, mas então o moralismo da mídia omitia, admitia e colaborava com estupros e torturas nos cárceres do regime que promoveu e enriqueceu essa grande imprensa que sempre nos tratou como antas.

Por quantos anos continuaremos sendo as antas de um Boris Casoy? De um Carlos Nascimento? Do Nêumanne Pinto? Da Lucia Hippolito, Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Dora Kramer, William Waack, Cláudio Humberto, Augusto Nunes, Eliane Catanhede, Merval Pereira e tantos outros que se assinam cientistas políticos e analistas econômicos de efeitos improváveis para causas duvidosas? Especialistas que jamais previram qualquer coisa que realmente tenha acontecido. Peritos em conclusões que nunca se confirmam.

Qual direito tem essa gente de manipular até as mais brilhantes inteligências do país, como se todos fossemos antas? E não vamos nos indignar? Não vamos tomar alguma providência? Exigir uma reparação?

Faço essa convocação aos que mantenham alguma dignidade e respeito à própria capacidade de raciocínio e inteligência, mesmo que, como eu, nem tanta quanto à de minha visitante. E o faço neste momento por ser o mais indicado.

Explico e demonstro por que: Ano a ano, todos esses analistas e formadores de opinião vêm insistindo nesse mesmo terrorismo que alarmou a renomada cientista. Em 2003 era porque o Brasil não ia dar certo na mão de um incapaz. Quando começou a dar certo, disseram que se devia ao governo anterior apesar de ter sido o que quebrou o país 4 vezes e triplicou nossa dívida externa reduzindo-nos da 8ª posição econômica no ranking mundial, para a 13ª.

Não deu mais para sustentar o ridículo de tamanha falácia e então explicaram que o Brasil se beneficiou da maré de sorte da economia mundial. Quando virou a maré financeira global, alardearam que seríamos tragados pelo tsunami da crise e ridicularizaram a marola do Lula. Marola veio, passou, quase nem se sentiu e do palanque eleitoral que armou, a mídia tentou dar uma salva vidas inventado a tal conta a pagar porque o Brasil deu certo.

Como é isso? Primeiro o Brasil não daria certo, mas quando deu certo aí que não deu certo porque deu certo!

Isso é conversa de anta! E conversa de anta cega e surda! Não é a toa que faltou fôlego para a respiração artificial do candidato que morreu na praia, afogado pela marolinha do Lula, o “incapaz” que esses “sábios” “analistas” e “competentes” comentaristas garantiram que faliria o Brasil.

Pois acaba de ser incontestavelmente comprovado que esse “incapaz” fez um pouco mais do que aqueles da “ditabranda”, gracioso neologismo criado por Otávio Frias Filho, dono da FOLHA DE SÃO PAULO, para designar os sócios de seu falecido pai que nunca tomou choque na genitália e nem teve a mulher estuprada. Compreensível que o Friazinho sinta-se saudoso daquele regime que em 25 anos elevou o país à 8ª economia no ranking mundial provocando, na época, o comentário de um dos ditadores, afirmando que “o Brasil vai bem, mas o povo está mal”.

A anta daquele ditador ao menos não era cego, mas o que enxerga do povo um Frias, Marinho, Mesquita ou Civita, se não uma manada de antas? Conforme reiteradamente declaram do alto de suas prepotências.

Se minimamente inteligentes fossem, ou se nos respeitassem como necessários às suas lamentáveis existências, não nos ofenderiam a cada edição de seus programas e publicações.

Ainda refazendo a história, lembremos os governos pós-ditadura, embrulhados para presente em páginas de jornal e revista com exuberantes laços de fita de vídeos tão falhos e falsos quanto às imagens digitalizadas de hoje; até chegarmos aos já citados péssimos indicadores do governo que os ingentes esforços da mídia não têm conseguido fazer retornar.

Será porque na imagem digitalizada fica difícil convencer antas de uma fita crepe que teria perfurado a careca do Serra? Ou será que a digitalização internética acabou incluindo as antas na lista de animais em extinção?

Enfim, o que importa é que em 8 anos de governo o “incapaz” execrado pela mídia elevou o Brasil à 7º economia mundial e, agora, só lhes resta assoviar “fiu-fiu” cada vez que Dilma passa, cortejando-a enquanto puderem.

Mas não pensem que seja exatamente a Dilma a quem queiram seduzir. Sabem que não tem jeito, pois foram os que para ela montaram bulling no portão da escola da qual, ridiculamente, se fingiam de professores.

Todo esse inusitado babujar vem do medo de que Dilma como diretora da escola os ponha de cara virados para a parede com chapéu de burro sobre a cabeça. Não suportariam o castigo de rirmos das prepotências de suas antices.

Nunca conheci alguém realmente inteligente que fosse prepotente. Conheci alguns expoentes brasileiros, como Mário Schenberg. Total simplicidade! Darcy Ribeiro, um mestre menino! Alguns outros mais, talvez com alguma natural vaidade pelo desempenho no mister a que se dedicam, mas sem maiores prepotências como as exibidas pelas antas da mídia.

A moça que me visitou é outro exemplo que me acompanhou ao Seu Antonio, conversou com Dona Silvia, com meus amigos pescadores, e muito me ajudou contra umas pinimbas do Eike Batista. Daí que tanto me revolto com a utilização pela FOLHA DE SÃO PAULO de sua inteligência incomensuravelmente superior às daquelas antas de lá.

Não é preciso declinar aqui o nome do “articulista” que publicou o livro “Lula, Minha Anta”, mas se alguma utilidade teve o ingresso desse desqualificado em um dos mais injuriosos veículos da lamentável grande imprensa brasileira, foi o de me inspirar uma ideia para a qual peço a colaboração de todos e principalmente daqueles com inteligência suficiente para se reconhecerem ludibriados, enganados, empulhados pelas falsas desgraças criadas por esses que têm sido as que, há muitas décadas, realmente prejudicam o Brasil.

Selecione o tapir que mais o(a) induziu a repetir mentiras, falácias e falsos alarmas. Por exemplo, apesar de eu não repetir coisa alguma do que diz essa anta, vou escolher a Miriam Leitão por ser a que mais previu desgraças que não aconteceram e mais enalteceu economias estrangeiras que de fato se desgraçaram. Essa deu com tantos burros n’água que se tornou a rainha do brejo onde a mídia se atolou.

A Leitão deveria até ser considerada aux concours, mas não se pode esquecer que sofre concorrência ferrenha de um colega de emissora: o Carlos Alberto Sardenberg. Então é a minha candidata ao Troféu Anta da Comunicação Brasileira, mas há uma profusão delas e cada um escolhe o seu ou a sua e a(o) indica ao prêmio através de um desses endereços: luisnassifonline.blog.uol.com.br ; www.viomundo.com.br.; www.conversaafiada.com.br. www.observatoriodaimprensa.com.br.

Exponha os motivos de sua escolha e explique que solicita o favor de repassarem ao seu escolhido o Troféu de Anta da Comunicação. Não é de jornalismo, porque no emaranhado da selva de comunicação do Brasil existe grande variedade desses animais em todas as funções.

Os titulares das páginas eletrônicas acessadas por estes endereços não vão entender coisa alguma, até porque não os conheço nem combinei nada com eles, mas pode ter certeza de que vai chegar ao conhecimento de seu laureado.

Depois do terceiro ou quarto laurel, apesar de não ter vergonha nem ser avestruz para esconder a cara como deveria, a anta começará a demonstrar sinais de sua mais típica característica, pois apesar de maior mamífero da América do Sul, é um animal essencialmente covarde. Quando se sente ameaçada a primeira coisa que faz é mergulhar no rio ou se esconder na mata. Se não der pra uma coisa ou outra, tremendo de medo tenta se fazer de amiga da onça como com a Dilma, agora.

Além do saudoso cartunista Péricles, outro que entende bastante das relações entre onças e antas ou tapir é Ariano Suassuna que traçou no magnífico “Romance da Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai e Volta” uma sutil analogia com a personalidade de seu personagem Diniz Quaderna. Leiam e se decidam entre o oncismo e o tapirismo ou antismo.

Tivemos aí apenas 8 anos de governo Lula e hoje o Brasil como a 7ª economia mundial, superando em 2010 o desempenho dos Estados Unidos e da União Europeia, portanto não é preciso se comer fria nem esturricada, pois a vingança por pretenderem nos fazer de antas está no ponto e ao dente.

*Raul Longo é jornalista, escritor e poeta. Mora em Florianópolis (SC), onde mantém a pousada “Pouso da Poesia“. É colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”.